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VIANA – CIDADE MORTA

Este é o repositório de 5 anos de histórias de uma cidade que quis ser criativa

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Museu Virtual de Viana

Marketeers de Viana voltam a meter água

Numa altura em que a Câmara Municipal de Viana do Castelo prepara já o regresso do Páscoa Doce (a primeira tentativa de marketing de eventos esboçada pela autarquia em 2010 e preparada já no âmbito da equipa (?) que tratou de estudar (?) o Marketing Territorial (ou City Branding) da cidade, eis que em Março surgiram vários sinais da autêntica desorientação em que se encontra a gestão da imagem de Viana, mesmo depois de criado aquilo a que agora se designa por gabinete TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), sob a dependência directa dos decisores políticos. Veja-se o cartaz (o primeiro, porque nem é este que está na rua) que pretendeu vender os eventos de Março:
Alguém entendeu a mensagem?

VIVER EM VIANA: UMA LIÇÃO A APRENDER PELOS MARKETEERS DA CIDADE

A Fundação Cidade de Guimarães em colaboração com o CPD escolheu o trabalho de João Campos, antigo aluno de Design na Universidade de Aveiro, para identificar “Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura”. A marca, com 26 variações distintas, é baseada nas muralhas da cidade e explora a ideia de diversidade cultural, valorização individual e abertura à multiplicidade de visões pessoais.

«O símbolo desenvolvido «agrega alegoricamente a muralha em representação do Património da Humanidade presente em Guimarães, o desenho da viseira de um elmo que presta homenagem à visão de D. Afonso Henriques, a proeminente figura da fundação de Portugal e é rematado sob a forma de um coração, em evocação plena do orgulho e sentimento vivo de pertença dos vimaranenses em relação à sua cidade», explica João Campos.»


São 26 modelos diferentes que têm na sua base o legado histórico da cidade de Guimarães, no entanto, também pretende ter um olhar para o futuro e para a diversidade cultural, «uma janela aberta a cada visão pessoal ou uma tela em branco para qualquer expressão individual», afirma o designer. As linhas do logótipo têm como objectivo ultrapassar a esfera criativa interna à organização do evento. João Campos refere que é um conceito «com alto potencial de personalização, o apelo à participação, envolvimento e, por fim, à apropriação da marca é dirigido a todo e qualquer cidadão europeu».


No fundo, com esta imagem gráfica ambiciona-se que não exista «apenas uma representação de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, mas sim uma infinidade delas. Tantas quanto a imaginação tiver sonhado», conclui o designer e também vencedor do concurso, lançado no ano passado pela Fundação Cidade de Guimarães em colaboração com o Centro Português de Design, para a criação da marca.
COMO DAQUI SE DEPREENDE, JOÃO CAMPOS NÃO SE LIMITOU A OLHAR APENAS PARA GUIMARÃES. E É ISTO QUALQUER VERDADEIRO ESTUDO DE MARKETING TERRITORIAL DEVE FAZER. A LIÇÃO DEVE SER ASSUMIDA DE UMA VEZ POR TODAS E JÁ NÃO RESTA MAIS AOS RESPONSÁVEIS POLÍTICOS DE VIANA, DEPOIS DE ESTE TRABALHO TER SIDO AGORA COMPLETAMENTE DIVULGADO, DO QUE DEMITIR DE IMEDIATO OS PLANEADORES DA MARCA VIANA QUE NÃO É MAIS, COMO SE VÊ AGORA, UM MERO LOGÓTIPO.

VIVER EM VIANA: CIDADE DO VINHO?

Começou a campanha de promoção de Viana do Castelo como CIDADE DO VINHO 2011 depois de uma candidatura aprovada pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho (se quiser saber mais clique aqui), que, afirma-se no site da Câmara Municipal, «aponta as raízes da produção vinícola no concelho, nomeadamente a vocação mercantil de Viana do Castelo e do vinho, passando pela importância da barra de Viana do Castelo na sua exportação».

Abonatório, acrescenta o site, «é também o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal em torno da marca “Vinhos das Terras de Geraz” com vista à criação de riqueza económica do concelho e respectivas acções de dinamização como a participação no Festival Nacional do Vinho, a celebração do Dia do Vinho e as Jornadas Europeias do Património»

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Assim, sendo “Cidade do Vinho 2011”, Viana do Castelo vai acolher diversos eventos, com destaque para a Gala da Cidade do Vinho, o Dia de Reis, os Fins-de-Semana Gastronómicos, a Gala da Eleição da Rainha das Vindimas Nacional, as Conversas à Volta do Vinho, as Jornadas Europeias do Património e o Dia Europeu do Enoturismo, para além de cursos e acções de formação, acções comerciais de promoção de vinhos no Mercado Municipal.

A iniciativa, apesar de meritória, coloca no entanto sérios riscos a Viana do Castelo, a saber: a autarquia nada fez para evitar o encerramento da Adega Cooperativa de Viana e decidiu apoiar um grupo de 5 pequenos produtores de vinho a que juntou o charme de uma campanha de marketing; vender agora Viana do Castelo como a Cidade do Vinho é cometer um erro crasso porque, de acordo com o site da autarquia, a cidade continua pejada de slogans e ainda nem sequer “vendeu” o tal Plano(?) de Marketing Territorial que vai custar 100 mil euros; dizer numa candidatura que Viana tem tradição comercial, aliando-lhe o mar, e acrescentar-lhe o Vinho é não conhecer o que se transaccionava em Viana desde tempos remotos: Vinho (?), talvez, mas nas tabernas que, pelos vistos já estão praticamente extintas na cidade.

VIVER EM VIANA: CIDADE DOS NAMORADOS?

O cartaz que agora se publica está colocado em vários pontos do Alto Minho e faz jus à realidade histórica de Vila Verde. Os lenços dos namorados (apesar de todos os que possam “inventar” o contrário) são originários daquilo a que vulgarmente se chamou, ao tempo de vultos como Pedro Homem de Melo (fique-se triste com os acesso à casa onde viveu…), Baixo Minho e que agrega (etnográfica e antropológicamente falando concelhos como Ponte da Barca, até onde se estendem as Terras da Nóbrega).
Mas o que este cartaz vem mostrar é que, afinal, não foi feito qualquer Plano de Marketing de Viana do Castelo quando agora se quer “vender” Viana como a Cidade dos Namorados. Viana tem no coração de filigrana um dos seus ícones mas apenas porque era na Feira de Viana (que alguns conseguiram destruir) que se vendiam os produtos dos artesãos da Póvoa de Lanhoso e de Gondomar e é daí que vêm as peças que ocupam as montras das ourivesarias vianenses. É na Póvoa de Lanhoso (concretamente na freguesia de Travassos) que está o verdadeiro (e o único) Museu do Ouro minhoto. Viana não tem lenços de namorados e não tem sequer bordados que se distingam do resto.
Viana, que deveria ter perdido o Castelo no nome há dezenas de anos porque nem isso tem mas apenas um forte (o tal Castelo de Santiago da Barra), sempre foi um entreposto comercial e essa é a sua MARCA. A identidade que nos deixaram os antepassados Celtas e esse é que é o verdadeiro Coração da cidade.
A prova mais evidente é a de que a principal imagem com que se identificam os visitantes de Viana é o Monte de Santa Luzia. Nada mais!!! O primeiro estudo realizado em Abril  no âmbito da Rede Eskilo mostrou-o claramente e a actualização feita agora mostra que a maioria não sabe qual é a nova marca de Viana. 
Porque será? Ficam alguns exemplos de City Brands numa espécie de vaticínio para o que vai suceder à nova marca depois do desastre que foi a “velha” marca da Caravela.

VIVER EM VIANA: NOVA IMAGEM OU MERO LOGÓTIPO?

O Marketing Territorial é um dos mais recentes paradigmas do grande grupo que compõe o estudo do posicionamento de produtos e marcas perante o consumidor. Ele foi criado para olhar para os territórios como se de produtos de tratassem num mundo onde as cidades competem entre si para atrair visitantes e novos residentes. Rapidamente, as maiores cidades do mundo começaram a ser medidas por rankings e daí nasceu o chamado City Branding (a criação de marcas únicas e inconfundíveis que tenham sempre por base as percepções de visitantes e residentes quanto aos “produtos” endógenos de cada território). 
até hoje ainda ninguém sabe quem foi o autor do novo logótipo

Vem isto a propósito do designado Plano de Marketing de Viana do Castelo que há cerca de um ano foi entregue a uma empresa sedeada em Lisboa, a ATIVISM, ao mesmo tempo que decorreu uma série de encontros do chamado Conselho Estratégico da Cidade. Baseada em 150 inquéritos (segundo o dado oficial…mas sabe-se agora que só foram auscultados agentes locais!!!), a empresa apresentou uma marca (?) com um coração vermelho onde está inscrita a palavra Viana. Esperava-se a apresentação do designado Marketing-Mix mas até hoje não existe qualquer plano conhecido e apenas se registaram alguns “arrufos” como os outdoors que foram colocados na cidade durante o Verão até à passagem de uma das etapas da Volta a Portugal e retirados depois de todos estabelecimentos comerciais do centro da cidade (e apenas esses) terem aderido à “febre do coração de Viana” com a distribuição de autocolantes por parte do município.

Entregue por 60 mil euros, o Plano de Marketing de Viana do Castelo vai afinal custar, de acordo com o Plano de Actividades do Município para 2011, 100 mil euros e a autarquia vai fazendo operações de marketing (?) mensais com slogans ao sabor dos gostos de quem Governa e coordena a agenda das actividades no município e sem qualquer estudo prévio. Além disso, o “guião” do uso da marca (?) é adaptado pelo agora designado Gabinete de Tecnologias de Informação e Comunicação consoante as necessidades do momento.

VIVER EM VIANA: MUSEU DE VIANA IMPULSIONA PROCURA TURÍSTICA DA CIDADE

Viana do Castelo foi um dos destinos mais pesquisados na Internet pelos portugueses durante as férias de Natal.  De acordo com um estudo de um portal da especialidade, os portugueses procuraram mais destinos nacionais do que internacionais e entre as mais procuradas está Viana do Castelo, com um aumento de noventa por cento relativamente ao mesmo mês de 2009. De acordo com o estudo, a tabela é liderada por Fátima, seguida por Lisboa e Estoril, sendo que, do total dos 20 destinos mais procurados pelos portugueses, 13 são destinos nacionais, nomeadamente Viseu e Armação de Pêra, Óbidos, Faro e Cascais, Setúbal e Albufeira e Viana do Castelo, seguindo-se depois Braga e Funchal.
A notícia poderia passar despercebida mas, embora tenha sido aproveitada politicamente, o certo é que foi graças às parcerias estabelecidas entre o Museu de Viana e as maiores agências de viagens com pesquisadores web que tal sucedeu. Basta dizer que este projecto nasceu no início do Verão e, apesar de já ter sido obrigado a ser objecto de uma profunda remodelação, é já o meio não oficial ou noticioso de Viana do Castelo mais visitado em todo o mundo.
É por isso, com agrado, que se regista esta notícia. Em breve tudo estará já pronto! Obrigado…

VIVER EM VIANA: UMA CIDADE EXTRAORDINÁRIA OU ORDINÁRIA?

No final de 2010, o universo dos planeadores e gestores de cidades ficou chocado com a atitude de uma câmara municipal do Minho ao decidir o coordenador do processo do Plano Director Municipal (PDM) apenas porque o especialista fez a diferenciação entre a cidade extraordinária e a cidade ordinária. 
O político em questão, por mera ignorância linguística e académica, entendeu que o arquitecto em causa estava a insultar o município quando o que o Homem em questão queria dizer era tão somente isto: a autarquia não pode olhar apenas para a cidade extraordinária (leia-se aquela que serve de cartão de visita) mas tem obrigação de ver o território como um todo e, em especial, a cidade ordinária (leia-se aquela onde se vive, se trabalha e se passa a maior parte do tempo). 

Trata-se afinal de fazer valer o paradigma do Marketing de Cidades e da Gestão Cultural de Território: nenhuma cidade pode querer ser atractiva sem ter atracções mas também não pode dedicar-se apenas aos visitantes esquecendo os residentes.

A Cidade é um “ser” cultural por inerência desde o seu nascimento e este caso demonstra bem o que vai andando mal no universo dos executivos municipais e das teias políticas locais,  regionais e nacionais: os pelouros da Cultura não podem ser meros repositórios de eventos artísticos (alguns deles de carácter caprichoso e duvidoso) ou subsídios a associações recreativas e culturais porque, lembre-se repetidamente, a arte foi e será sempre o adorno do “ser” cultural que é a Cidade); integrar a Cultura nas mãos de que gere a Educação e colocar a gestão do espaço urbano nas tarefas de outrem é o mesmo que tomar um cappucino na Praça da Duomo de Milão num copo de plástico com uma palhinha descartável.

Vem esta dissertação a propósito de duas notícias algo contraditórias que, ao leitor comum, nada têm de nexo ou causalidade: na mesma semana em que se sabe que a câmara municipal decide atribuir o título de cidadão de mérito a um arquitecto que recebeu milhares de euros para executar uma obra de arte que agora é um espaço público com o argumento de que esse edifício capitalizou a visibilidade de Viana, fica tambéma saber-se que a autarquia decidiu, mais uma vez, “ameaçar” os proprietários das dezenas de obras de arte automobilísticas que estão abandonadas pela cidade que irá remover esse entulho mas, (imagine-se…) depois de notificados e cumpridos os prazos legais.
São estas afinal duas não notícias que envergonham a cidade ordinária. Siza Vieira tem recebido prémios pela biblioteca que desenhou mas isso torna-o um cidadão de mérito de Viana? Já anteriormente se deu louvores a outro artista (?) pelo simples facto de ter sido pago a peso de ouro para colocar em Viana duas aberrações urbanas (para não se avançar com outras discussões históricas que lhe serviram de base…). E que dizer de José Saramago que tão bem descreveu a cidade extraordinária (antes das intervenções do Programa Polis) num documento que hoje circula por todo o mundo? Não terá sido ele um verdadeiro cidadão de mérito?
Quanto ás obras de arte automobilísticas o Museu de Viana decidiu dar uma ajuda aos serviços municipais na esperança de que a cidade ordinária comece a receber mais atenção por parte dos gestores (?) políticos do espaço urbano. Porque não obrigam os Presidentes das Juntas de Freguesias, agora pagos com ordenados do erário público, a fiscalizar os seus eleitores???
E fica esta outra ideia: se a cidade não quer ter automóveis em nome de uma moda de pedonização que nunca teve justificação académica ou histórica porque não se disponibiliza veículos como os da fotografia em parques de estacionamento gratuitos?

VIVER EM VIANA: OLIGARQUIA OU MASOQUISMO?

Por estes dias, o país vive uma das principais conquistas da República: a eleição de um Presidente. Questionamentos à parte (como a dos monárquicos que dizem que o nosso hino é do tempo dos Reis ou a de saber se vale a pena ter um Presidente que tem os mesmos poderes que a Rainha de Inglaterra), o que importa é olhar para a essência histórica do que vai sendo já a campanha eleitoral pontuada com contradições de princípios e acusações sem que se olhe para o passado como uma referência do que se afirma uns meses depois.
Veja-se por exemplo que um dos candidatos fez o primeiro dia de campanha num edifício onde está a sede do Viana Taurino Clube (curiosamente com uma página do Facebook em Francês) e que fez história quando Viana do Castelo tinha fama nas Touradas que animavam anualmente a Romaria da Senhora da Agonia e que foram extintas pelo anterior executivo municipal.
Interessa por isso ler o que escreve um dos principais escribas do tempo em que o agora candidato era Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

VIVER EM VIANA: VALE A PENA UMA NOVA IMAGEM?

A pergunta fica sem resposta porque ainda não existe de forma científica e não se conhece verdadeiramente o marketing-mix (e se já está elaborado) que a empresa que desenhou a nova imagem de Viana do Castelo tem planeado porque os dados mais recentes mostram que o envelhecimento da população continua e a vinda de turistas diminuiu.
Mas fica ainda mais sem resposta porque o Museu Virtual de Viana | o Portal de todos os Vianenses se dedica a pesquisar documentos (iconográficos, audiovisuais, escritos e outros) que na maioria das vezes estão escondidos nos meandros na Internet.
O Jornal de Notícias publicou recentemente uma informação sobre a postura de trânsito na cidade de Viana do Castelo mas curiosamente tal postura foi alterada duas vezes só em 2010 mas sem que, tal como ditam as regras da boa governância do espaço público, tivesse existido uma consulta prévia aos interessados: os residentes e os investidores, em particular do centro histórico.
É por isto que se publica de seguida três links de onde o visitante do Museu Virtual de Viana pode retirar toda a informação que o ajudará a perceber como funciona a dinâmica das autoridades locais nesta matéria:
As conclusões ficam para quem leia estes documentos.

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