A secção de mergulho dos Bombeiros Municipais de Viana do Castelo, único corpo profissional do concelho, não participou nas operações de socorro aos dois pescadores acidentados em Castelo de Neiva, porque estes elementos não possuem licenças atualizadas numa situação que deveria ter merecido um tratamento mais aprofundado por parte da Agência Lusa tanto mais que o presidente da Câmara de Viana do Castelo, que tutela aquela força, confirmou esta falta precisamente no mesmo dia em que o seu gabinete de imprensa divulgou mais uma nota de propaganda onde diz que “a Comissão Municipal de Emergência e Protecção Civil de Viana do Castelo acaba de emitir parecer favorável ao Plano Municipal de Emergência”.

 

 

Fotografia de Arménio Belo/Agência Lusa 

 

O caso não seria grave se não fosse o próprio autarca o responsável máximo pela Protecção Civil no concelho e ter feito realçado através de um meio público uma nota onde diz curiosamente que “o Plano Municipal é um instrumento de gestão vocacionado para sistematizar o conjunto de normas, regras e procedimentos destinados a fazer face à ocorrência de situações de acidente grave ou catástrofe que se venham a verificar em Viana do Castelo. É, simultaneamente, um instrumento preventivo e de gestão operacional já que estabelece os recursos para fazer face a acidentes ou catástrofes, define as acções a empreender, atribui as respectivas missões, e estabelece as estruturas e órgãos de coordenação e comando que as enformam”. 

Paradoxalmente, a Agência Lusa não coloca em causa a incúria com que o autarca tem tratado da questão e apenas refere uma desculpa: “os nossos elementos estão a frequentar um curso de mergulho profissional para o qual são necessários vários testes. Nesta altura, faltam realizar apenas os exames médicos numa câmara hiperbárica e, por isso, não podem fazer mergulho”. Os meios dos Bombeiros Municipais, corpo totalmente profissional e que dispõe de uma secção de mergulho com 12 elementos, chegaram a ser solicitados para apoiar a operação, atrasando as operações uma vez que houve necessidade de solicitar a presença de uma equipa dos Bombeiros Voluntários. Outra questão que a Agência Lusa não levantou foi a pertinência de saber porque razão continua o Presidente da Câmara Municipal a teimar em investir verbas do Polis em obras de fachada quando, depois de andar a fazer propaganda com um suposto Plano Estratégico onde é “vendida” a economia do mar, não existem nas barras do concelho condições para a pesca. 

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