Os dez municípios que integram a CIM Alto Minho estão a preparar um modelo próprio para a distribuição de água em baixa (diretamente aos consumidores), que passará pela criação de Serviços Intermunicipais alegando que esta será a forma a «diminuir os custos do processo», o que não siginifica que poderá baixar o preço da factura da água (com taxas de resíduos sólidos e outos incluídos).

A notícia consta de uma forma disfarçada, num artigo hoje divulgado pela Agência Lusa, onde o Presidente da Comunidade Intermunicipal revela que objetivo passa por aproveitar a estrutura já existente no município de Viana do Castelo para se evoluir para uma lógica de distrito. Ou seja, atualmente, nos dez municípios, o abastecimento de água envolve 250 trabalhadores. No entanto, os futuros Serviços Intermunicipais poderão funcionar com cerca de 200, levando o serviço técnico 24 horas por dia a todo o distrito, «que não existia antes em alguns dos concelhos».

A agência Lusa atribui a Rui Solheiro a ideia de que «a fusão dos dez serviços municipalizados numa única estrutura de abrangência distrital é justificada para eliminar o subsídio gasto pelas câmaras para manter as taxas nos atuais níveis» mas não refere, numa total falsa de profissionalismo jornalístico, que o concelho de Viana do Castelo tem uma das facturas da água mais caras do país.

 

Além disso, fica por explicar porque surge agora a fusão numa altura em que praticamente todos os municípios estão com problemas de liquidez financeira e o de Viana do Castelo (cujo Relatório e Contas de Gerência de 2011 ainda não foi apresentado ou aprovado) se encontra em ruptura financeira, sendo dos serviços municipalizados (por via das facturas da água excessivas) o único que não tem dado prejuízo nos últimos dois anos.

 

Curiosamente, esta notícia surge escondida num comentário onde o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho admitiu que uma possível fusão das quatros empresas de distribuição de água no Norte «será positiva se o fator escala permitir reduzir as tarifas aos consumidores».
Atualmente, os dez municípios do distrito de Viana do Castelo, assim como os do vale do Ave e Cávado, pagam 51 cêntimos por cada metro cúbico de água fornecido em alta pela Águas do Noroeste, uma das quatro empresas de abastecimento de capitais públicos do Norte. Na região Norte há quatro sistemas intermunicipais de água e saneamento, cujos capitais são maioritariamente detidos pela Águas de Portugal, tendo os municípios posições acionistas minoritárias.As sociedades que o Governo alegadamente pretende fundir, passando a ter uma gestão única, são a Águas Douro e Paiva, a Águas do Noroeste, a Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Simdouro.

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