A discussão já não é nova mas voltou à blogosfera pela mão de um autor que veio defender, como outros o fizeram há dezenas de anos, que o Minho deveria «equacionar a possibilidade de instalar representações condignas em Lisboa, Fátima e noutros locais para se dar a conhecer e encaminhar para a nossa região muitos dos turistas que visitam o nosso país».

Defende Carlos Gomes, do Blogue do Minho que «sendo Lisboa a principal porta de entrada no país da maior parte do turismo estrangeiro e constituindo o Santuário de Fátima um dos principais pontos turísticos do país para onde se dirige a esmagadora maioria dos peregrinos, deve ser equacionada a possibilidade de nesses locais serem instaladas representações condignas que possam informar e encaminhar para a nossa região muitos daqueles que nos visitam. Provavelmente, muitos peregrinos teriam o maior interesse em visitar alguns dos santuários existentes na nossa região se para tal fossem convenientemente orientados. O mesmo se passa em relação aos cidadãos estrangeiros que chegam a Lisboa com um destino limitado aos pontos turísticos mais divulgados».

 

 

O grande equívoco de Carlos Gomes como de outros que nunca estudaram a fundo o fenómeno turístico minhoto é que não sabem que os produtos que chamam visitantes ao Minho são o Turismo Cultural, o Turismo da Natureza e o Turismo de Negócios. Lendo isto de uma forma leiga basta dizer que os turistas nacionais e estrangeiros que afluem às Gualterianas em Guimarães ou às festas da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo não o fazem primeiramente por via da fé. Isso apenas acontece com os santuários como o de Fátima, o do Sameiro ou o da Senhora da Peneda (só para citar alguns)

De igual modo, não se pode confundir produtos com destinos nem destinos com amenidades (hotelaria em espaço rural ou não, etc.). Hoje, os mais profundos estudos internacionais sobre a matéria dizem-nos que o turismo está relacionado com os usos, os costumes, as heranças culturais e a paisagem.

Até mesmo a gastronomia (tão maltratada em Viana do Castelo desde o tempo em que alguém tentou criar a ilusão de o prato típico vianense é o Bacalhau) é uma amenidade pois quem vai a um lugar só para comer não passa mais de uma horas nesse local e só a muito custo acaba por pernoitar.

É certo que Carlos Gomes tem razão quando afirma que o «Minho necessita de se dar a conhecer fora de portas» mas a região tem gasto rios de dinheiro com esse tipo de campanhas e os resultados são francamente decepcionantes. Aliás, o Minho chegou a ter representação em Lisboa e nem assim conseguiu fazer valer-se como um destino turístico consistente, porque não existe na região quem depois acompanhe os turistas de forma conveniente e acordo com as promessas que lhe foram feitas.

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