A Comissão de Moradores do Cabedelo está preocupada com o anúncio da construção de uma fábrica de cabos junto ao porto de mar de Viana do Castelo. O grupo luso-holandês Royal Lankhorst Euronete vai começar a construir a fábrica esta semana mas os moradores do Cabedelo dizem que aquela zona é uma reserva ecológica e que a instalação da fábrica pode pôr em causa o bem-estar da população. Rocha Neves, presidente da Comissão de Moradores do Cabedelo, disse à Geice que vão questionar a Câmara Municipal, o Ministério do Ambiente e o Ministério da Economia sobre a aprovação do projecto. 

 

 

Os moradores querem saber em que condições o licenciamento foi feito. Rocha Neves diz que a zona estuarina é uma zona de reserva ecológica e que “qualquer fábrica pode em potência pôr em causa o equilíbrio do ecossistema”. Os moradores pretendem ainda saber se a instalação da fábrica vai alterar as condições de salubridade do rio e das margens do rio.

Os moradores “nunca foram consultados”, situação que o representante lamenta. Rocha Neves diz que “em relação a projectos incómodos” a população nunca é consultada, sabendo dos mesmos quando já são factos consumados. Rocha Neves diz que no local existia apenas um pedido de apreciação do projecto.

Rocha Neves teme que a fábrica seja uma “fonte de mal-estar da população” e que possa provocar poluição. Diz ainda que “a margem do rio não é o sítio adequado para uma fábrica”.

José Rosa, economista e também membro da Associação de Moradores do Cabedelo, vai mais longe e admite mesmo pedir a cessação do mandato do presidente da Câmara de Viana do Castelo por violação do Plano Director Municipal. José Rosa diz que “não deram cavaco aos moradores” e que o licenciamento de uma fábrica poluente naquele local é uma “vigarice”.

Está assim aberta a polémica. Os moradores do Cabedelo recusam a instalação da fábrica na margem do rio e acusam a autarquia vianense de não se estar a preocupar com o bem-estar da população.

Recorde-se que o grupo luso-holandês Royal Lankhorst Euronete começa a construir esta semana, em Viana do Castelo, uma fábrica de cabos para amarração de plataformas petrolíferas que empregará 70 trabalhadores, num investimento de 6,5 milhões de euros.

A garantia foi dada hoje à agência Lusa pelo presidente do grupo, José Gramaxo, segundo o qual esta fábrica, a instalar junto ao porto de mar de Viana do Castelo, para facilitar a exportação da produção, deverá começar a laborar até final de agosto deste ano. O grupo Lankhorst foi fundado em 1803, na Holanda, enquanto que a portuguesa Euronete nasceu na Maia, em 1964.
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