Na última década foram investidos mais de 20 milhões de euros em projectos que prometiam, entre outras coisas, a democratização do acesso à Internet para todos os residentes do Vale do Lima mediante preços mais acessíveis na banda larga para televisão e a disseminação gratuita do wi-fi. Até agora, nenhuma entidade oficial pediu contas aos responsáveis que geriram o projecto.

 

Em 2006, a comunidade urbana Valimar, então presidida pelo actual presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, anunciou que o investimento, até ao final desse ano, sete milhões de euros num projecto digital cujo principal objectivo era o aumento da competitividade dos seis municípios que a integravam. Denominado “Valimar Digital”, o projecto, homologado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, teria como principal ponto de união a criação de um portal regional, a cargo daquela comunidade urbana.

 

Esse portal juntaria 16 sub-projectos, que seriam levados a cabo por treze entidades públicas e privadas da região, como o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, o Conselho Empresarial do Vale do Lima, a empresa Águas do Minho e Lima ou a Fundação Gil Eannes.

A reformulação dos sítios Internet municipais, a criação de serviços autárquicos on-line, a disponibilização da intranet autárquica em banda larga, a instituição de uma rede camarária em banda larga e a criação de 35 quiosques de acesso gratuito espalhados pelos seis municípios eram alguns desses sub-projectos.

 

Seria também criado um número verde de acesso às informações das respectivas câmaras municipais (Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Caminha e Esposende), “já que muitos dos munícipes não têm ainda contacto com as novas tecnologias de informação”.

Estavam igualmente previstos projectos como o “Aqua” – Sistema de recolha, gestão e divulgação de informação ambiental para o estuário do Rio Lima e a implementação do sistema de e-business do Porto de Mar de Viana do Castelo. Outro projecto seria o “Sistema de Monitorização da Qualidade da Água”, da responsabilidade da empresa Águas do Minho e Lima, que assentará na instalação de uma rede de estações remotas de análises de água para consumo humano e na criação de um “website” que disponibilizará a respectiva informação actualizada.

 

No âmbito da cultura e turismo na Valimar, uma das acções previstas era a “Solares de Portugal”, que visava o desenvolvimento de um novo sistema de gestão da informação das reservas. A implementação de um sistema de “visitas áudio” nos centros históricos da Valimar, o “Navegando com o Gil Eannes”, que visa a concepção e instalação de quiosques multimédia e de um simulador de navegação no navio-hospital com aquele nome, são outros dos projectos naquelas áreas. Prevista estava ainda a criação de um “website” dinâmico, incluindo diferentes valências e conteúdos inovadores por parte da Fundação Átrio da Música, como, por exemplo, um laboratório de música ou base de dados de compositores portugueses.

 

UMA BATATA QUENTE A MERECER INVESTIGAÇÃO

 

Já em 2009, o mesmo autarca afirmava que a VALIMAR (onde pontificava um ex-autarca que por causa de um queijo aprovou o orçamento de estado da desgraça de Portugal e agora vê recompensada a sua actividade com um cargo governativo) “deixou marcas visíveis no que concerne ao desenvolvimento da região”. Apontou como exemplos investimentos efectuados ao nível das acessibilidades, dos parques empresariais, da educação e qualificação, do ambiente e, agora, com o “Valimar Digital” e o “Valimar Net”, ao nível das novas tecnologias, permitindo que a região entrasse na “era da modernidade”.

 

A par do VALIMAR DIGITAL foi ainda anunciado em 2007 o VALIMAR NET. Os seis municípios que integram a comunidade urbana «Valimar» vão ficar
ligados em banda larga através de uma rede de fibra óptica com mais de 126 quilómetros de extensão, num investimento de 10 milhões de euros.
Segundo anunciou o Presidende da Valimar, «o Valimar Net vai permitir desenvolver uma rede regional de fibra óptica com mais de 126
quilómetros de extensão, que interligará os seis municípios, e criar anéis de fibra óptica nos respectivos centros urbanos, de forma a colocar
o território na era digital mediante um aumento do tráfego e acesso mais rápido às tecnologias de informação». O projecto resultava de uma parceria com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e prometia colocar a região da Valimar «entre as mais
desenvolvidas do país no que toca às Tecnologias de Informação».

A Valimar adiantava que, uma vez implementado, o projecto vai aumentar a atractividade das empresas e dos serviços de base tecnológica, uma vez que a infra-estruturação desta rede, composta por 24 pares de fibra óptica, passará pela utilização livre de acesso aos operadores
de serviços acreditados pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
«Tal situação permitirá a redução substancial das tarifas/preços praticados pelos operadores e, por consequência, a redução das tarifas do
consumidor», sublinhava a Valimar. Combater a info-exclusão e a iliteracia digital através do contributo para a massificação do
acesso aos serviços de Internet de banda larga, promover o conhecimento e qualificar e facilitar o acesso e o relacimento entre a administração
e os cidadãos (o E – Government) eram outros objectivos do «Valimar Net».

 

 

Em 2009, o então administrador executivo da Valicom, empresa intermunicipal responsável pela gestão da rede comunitária, esta rede estava já momento operacional e encontrava-se preparada para importar tudo o que existe em termos de serviços de telecomunicações de Nova Geração (no mínimo triple-play: voz, vídeo, dados). “Trata-se de uma rede apoiada num “core” de fibra óptica e em soluções de acesso também de Nova Geração (nomeadamente FTTx), aberta ao acesso e uso por qualquer operador ou prestador de serviços de telecomunicações, em igualdade de oportunidades, que pretenda servir a comunidade em causa (sector público ou privado, empresarial ou residencial)”, salientou. Referiu, a propósito, que já há alguns operadores interessados no fornecimento de serviços de telecomunicações.

 

Mas em 2010, a ANACOM acabou por ceder a exploração de toda a rede à DSTtelecom, do grupo DST que possui vários negócios com o grupo Sonae, como na área das energias renováveis associadas ao cluster ENERCOM, e o negócio acabou por ir parar às mãos da Sonaecom.

 

 

 

 


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