Um autarca sem discurso coerente ou com uma sistemática ausência de acções crediveis põe em causa todo e qualquer trabalho de promoção de um território. Em Vigo, por altura do Natal, políticos e empresários apostaram numa efectiva estratégia de captação de visitantes mas em Viana do Castelo as quebras na economia local acentuaram-se muito por culpa da  Câmara Municipal que, desistindo de uma âncora de atracção em prol de gastos supérfluos durante todo o ano em supostos eventos artísticos, continua com o discurso lamechas e pouco proactivo e até o levou a um programa na Rádio Vigo com alguns dados pouco claros. 

Muitas propostas têm sido apresentadas mas o presidente da Câmara Municipal diz apenas que a afirmação da cidade de Viana do Castelo no quadro das dinâmicas urbanas do noroeste peninsular, numa altura em  que assumiu a presidência do Eixo  Atlântico, passa por acabar com a nova «fronteira virtual» que se chama portagens. Mas estas declarações são tanto mais graves quanto foram proferidas no contexto das celebrações dos 164 anos da elevação da localidade a cidade, por D. Maria II, em 1848, durante as quais foram homenageados cidadãos e instituições, num «reconhecimento institucional» que em alguns casos continua ferido de carácter duvidoso.

Quando assumiu a presidência, José Maria Costa anunciou um novo plano estratégico e uma operação de marketing territorial. Três anos volvidos não se conhece nem o plano de marketing, nem o documento completo de uma síntese da estratégia que foi divulgada em 2010. Como se tal não bastasse, o autarca deixou agora que a estratégia da cidade (que deveria ser consonante com Braga e Guimarães) fosse engolida por mais um estudo

que vai enviar milhões de euros para os bolsos da empresa de Augusto Mateus, um ex-ministro cujos documentos de planeamento nada têm tido de efectivo reflexo no desenvolvimento sustentável do país e das regiões.

É certo que todos concordam com o presidente do Governo Regional da Galiza, Alberto Núnez Feijóo (PP), que apelou na Rádio Vigo à intervenção do Executivo de Madrid junto do governo de Portugal para alertar sobre o efeito das portagens na economia da euro região. Também se concorda que a ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo deve ser “definitivamente” repensada utilizando os fundos comunitários, por exemplo, para a modernização parcial da Linha do Minho com um projeto financeiramente viável.

Mas Viana do Castelo não tem desculpas: o actual presidente da Câmara foi vereador da maioria socialista da autarquia que vem governando o município há mais de duas décadas. Agora assumiu a presidência do Eixo Atlântico e continua a não conseguir afirmar que a saída está na criação de sinergias com as outras duas principais cidades do Minho (Braga e Guimarães), porque o modelo do quintal a norte do rio Lima está definitivamente falido.
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